Vestes

“Vestirei de honra os seus sacerdotes”

(Salmos 132.16)

 

João 19

23 

Tendo, pois, os soldados crucificado a Yeshua, tomaram as suas vestes, e fizeram quatro partes, para cada soldado uma parte; e também a túnica. A túnica, porém, tecida toda de alto a baixo, não tinha costura.

24 

Disseram, pois, uns aos outros: Não a rasguemos, mas lancemos sortes sobre ela, para ver de quem será. Para que se cumprisse a Escritura que diz: Repartiram entre si as minhas vestes, E sobre a minha vestidura lançaram sortes. Os soldados, pois, fizeram estas coisas.

 

Salmos 22

16 

Pois me rodearam cães; o ajuntamento de malfeitores me cercou, traspassaram-me as mãos e os pés.

17 

Poderia contar todos os meus ossos; eles vêem e me contemplam.

18 

Repartem entre si as minhas vestes, e lançam sortes sobre a minha roupa.

 

A crucificação não era um costume de condenação de morte praticada pelo povo de Israel aos transgressores graves de algum mitzvá (mandamento) da Lei. A morte por crucificação era uma pena capital imposta pelos romanos apenas aos escravos, aos povos colonizados e aos criminosos bárbaros (que não eram romanos), ou seja, a qualquer pessoa considerada inferior por não ser simplesmente romana; porém nenhum cidadão romano poderia ser crucificado. Ao condenar alguém à morte por crucificação, os romanos o humilhavam por lhe aplicar uma pena de morte reservada apenas às classes humanas consideradas inferiores com requintes de sofrimento enquanto o crucificado agonizava até expirar. 

                        

Para os judeus a transgressão grave de qualquer mitzvá da Lei, quando aplicável, era punida comumente com a pena de morte por apedrejamento, sendo este um método comum de execução na antiga nação de Israel e até mesmo na época de Yeshua. O apedrejamento era a consumação do julgamento, condenação e sentença de morte para o acusado bastando ter a presença do acusador e de mais duas testemunhas que eram as primeiras a atirarem as pedras.  Não podemos afirmar que esta pena de morte era humilhante e vergonhosa porque sua aplicação era invariável mediante um diverso e amplo compêndio de acusações. Toda pena capital tinha em si um peso moral, mas o fator de genuíno opróbrio era visível em apenas alguns poucos casos. O condenado poderia ser apedrejado até a morte devido:

 

·         À desobediência (Josué 7.25: “E disse Josué: Por que nos perturbaste? O Senhor te perturbará neste dia. E todo o Israel o apedrejou; e os queimaram a fogo depois de apedrejá-los.”);

 

·         Por ter sacrificado crianças (Levítico 20.2): “Também dirás aos filhos de Israel: Qualquer que, dos filhos de Israel, ou dos estrangeiros que peregrinam em Israel, der da sua descendência a Moloque, certamente morrerá; o povo da terra o apedrejará.”;

 

·         Por feitiçaria (Levítico 20.27): “Quando, pois, algum homem ou mulher em si tiver um espírito de necromancia ou espírito de adivinhação, certamente morrerá; serão apedrejados; o seu sangue será sobre eles.”;

 

·         Por blasfemar (João 10.31-32): “Os judeus pegaram então outra vez em pedras para o apedrejar. Respondeu-lhes Jesus: Tenho-vos mostrado muitas obras boas procedentes de meu Pai; por qual destas obras quereis me apedrejar?”;

 

·         Por rebelar contra os pais (Deuteronômio 21.20-21)E dirão aos anciãos da cidade: Este nosso filho é rebelde e contumaz, não dá ouvidos à nossa voz; é um comilão e um beberrão. Então todos os homens da sua cidade o apedrejarão, até que morra; e tirarás o mal do meio de ti, e todo o Israel ouvirá e temerá.”;

 

·         E por adultério (Ezequiel 16.40): “Então farão subir contra ti uma multidão, e te apedrejarão, e te traspassarão com as suas espadas.”.

 

A primeira vez que esta condenação aparece na Bíblia foi como resposta do próprio Deus a uma transgressão cometida por um rapaz que apanhava lenha no dia de Sábado e foi levado até Moisés para ser julgado.

 

Números 15

32 

Estando, pois, os filhos de Israel no deserto, acharam um homem apanhando lenha no dia de sábado.

33 

E os que o acharam apanhando lenha o trouxeram a Moisés e a Arão, e a toda a congregação.

34 

E o puseram em guarda; porquanto ainda não estava declarado o que se lhe devia fazer.

35 

Disse, pois, o Senhor a Moisés: Certamente morrerá aquele homem; toda a congregação o apedrejará fora do arraial.

36 

Então toda a congregação o tirou para fora do arraial, e o apedrejaram, e morreu, como o Senhor ordenara a Moisés.

 

Podemos concluir que a crucificação era considerada a sentença de morte mais humilhante e vergonhosa aplicada pelos romanos. E para os judeus o apedrejamento era a pena de morte comumente aplicada para diversas transgressões não sendo necessariamente uma morte humilhante e vergonhosa. 

 

Sendo crucificado pelos romanos, Yeshua foi exposto a uma morte humilhante reservada aos escravos e aos vis criminosos cujo ato infringia grandes sofrimentos físicos aos condenados. Crucificado pelos romanos Yeshua figurou como um ser humano inferior aos demais em todos os aspectos. Mas toda humilhação, todo vexame e vergonha a que Yeshua foi exposto, não permaneceu apenas no âmbito das práticas condenatórias romanas.

 

Percebemos aqui um dissimulado cinismo e ironia do “inimigo” que expôs Yeshua a uma vergonha ainda maior do ponto de vista condenatório judaico (perante o seu próprio povo, na sua própria terra, à vista de sua mãe e discípulos e mediante a sua própria Torah) – mas nada tinha a ver com apedrejamento.

 

Começamos a perceber estas nuances sutis, colocadas pelas trevas que envolveram as pessoas nos últimos momentos de Yeshua na Terra quando lemos:

 

  • João 19.23 e 24: “Tendo, pois, os soldados crucificado a Yeshua, tomaram as suas vestes, e fizeram quatro partes, para cada soldado uma parte; e também a túnica. A túnica, porém, tecida toda de alto a baixo, não tinha costura. Disseram, pois, uns aos outros: Não a rasguemos, mas lancemos sortes sobre ela, para ver de quem será. Para que se cumprisse a Escritura que diz: Repartiram entre si as minhas vestes, E sobre a minha vestidura lançaram sortes. Os soldados, pois, fizeram estas coisas.”;

 

  • Mateus 27.35: “E, havendo-o crucificado, repartiram as suas vestes, lançando sortes, para que se cumprisse o que foi dito pelo profeta: Repartiram entre si as minhas vestes, e sobre a minha túnica lançaram sortes.”;

 

  • E Marcos 15.24: “E, havendo-o crucificado, repartiram as suas vestes, lançando sobre elas sortes, para saber o que cada um levaria.”.

 

Estes três Evangelhos são unânimes ao afirmar que realmente as vestes e a túnica de Yeshua foram alvo de disputas entre alguns homens ali presentes, após a crucificação, quando chegaram até a deitar sortes para saber de quem passariam a pertencer.

 

Entretanto, sabemos que antes da crucificação Yeshua tinha passado por uma verdadeira flagelação onde foi fustigado por açoites, agredido fisicamente e coroado com uma coroa de espinhos e, ao carregar a cruz pela hoje conhecida Via Dolorosa continuou a ser açoitado, caiu por terra e teve o seu corpo muito maltratado por todo o percurso o que, certamente, teria danificado muito suas vestes e túnica e as teriam deixado completamente sujas, suadas e ensangüentadas. Portanto nenhum interesse essas roupas despertariam se estivessem vestindo Jesus durante todo este suplício, pois estariam em péssimas condições, rasgadas, desfiadas, sujas de terra, sujas de suor, vermelhas e com cheiro desagradável de tanto sangue.

 

Observamos claramente, segundo os Evangelhos, que a disputa pelas roupas de Jesus ocorreu após a sua crucificação. Com isto constatamos o óbvio: Yeshua passou por tudo isto despido e foi flagelado e crucificado completamente nu. Se Yeshua estivesse vestido neste tempo todo, seria impossível disputar suas vestes e túnica, pois elas estariam em estado lastimável e também estariam pregadas na cruz com o corpo dele.

 

Esta nudez a que Yeshua foi exposto se constituiu na consumação da maior humilhação pública a que um judeu poderia ser exposto; humilhação esta que podemos exaustivamente constatar em diversos textos bíblicos desde de Gênesis (2.25) a Apocalipse (3.17). Um judeu nu em público era uma imagem inconcebível para aquela nação, opróbrio para o povo e para a Torah.

 

Antes da morte humilhante e vergonhosa na cruz conforme a prática romana, Yeshua foi flagelado fisicamente de forma humilhante e vergonhosa perante seu povo por ter passado por este suplício completamente nu. Yeshua foi envergonhado e humilhado ao ser castigado e também ao ser crucificado, pena esta aplicada a um ser inferior. Duplamente exposto ao vexame e ao ridículo público. Primeiro os inimigos de Yeshua o humilharam e o envergonharam castigando-o nu, depois os seus mesmos inimigos o humilharam e o envergonharam crucificando-o também nu.

 

As roupas de Yeshua foram disputadas acirradamente, a ponto de deitarem sortes sobre elas, porque estavam intactas, em perfeito estado de uso e tinham seu alto valor como mercadoria (veja que até a qualidade da túnica sem costuras foi ressaltada no texto bíblico); estavam intactas porque o dono daquelas roupas tinha passado por tudo aquilo completamente despido delas.

 

As vestes e a túnica de Yeshua eram o troféu macabro de sua morte nas mãos de seus algozes. O inimigo ostentou um troféu bonito e de valor que ele roubou de Yeshua.

 

Percebemos que o inimigo agindo através das pessoas naquele instante bíblico assim fez com Yeshua (atente-se para esta seqüência maligna):

3       Tirou suas vestes e túnica;

4       Flagelou-o despido (humilhação e vergonha aos olhos dos judeus);

5       Crucificou-o despido (humilhação e vergonha aos olhos dos romanos);

6       Tomou suas vestes e túnica.

 

Porque o inimigo primeiramente subtraiu as vestes e a túnica de Yeshua para depois expô-lo à flagelação e à crucificação? Que prazer diabólico foi este de expô-lo ao máximo, a uma dupla humilhação e vergonha pública?

 

Vejamos o que o dicionário da Língua Portuguesa diz sobre vestes:

“VESTES: O mesmo que roupas, também chamada de vestuários ou indumentárias, é qualquer objeto feito de tecido ou de outros variados materiais usado para cobrir certas partes do corpo. Roupas são usadas por vários motivos. Roupas são usadas para proteger, por questões sociais, culturais, profissionais ou por necessidade. O uso de roupas é considerado como parte do bom senso, da moral e da ética humana, guiado por princípios e valores pessoais e sociais, considerado indispensável pelas pessoas, especialmente em lugares públicos.”

Podemos sintetizar que as vestes de uma pessoa, as roupas que ela usa para cobrir partes de seu corpo, estão intrinsecamente ligadas à sua dignidade humana demonstrando o bom senso, o moral e a ética que regem a sua vida.

Portanto, Yeshua ao ser despido, teve todo o seu corpo descoberto e exposto, e assim foi destituído de sua dignidade humana e agredido no seu bom senso, em seu moral e em sua ética.  Yeshua se tornou vergonha para os judeus e vergonha para os romanos; vergonha para todos que estavam aparentemente controlando aquele momento único na História.

No sentido espiritual, que aqui se aplica, entendemos que despir uma pessoa é tirar a cobertura de sobre ela, é tirar a vestimenta de dignidade, de senso, de moral e de ética de sobre um ser humano. É expô-la completamente ao vexatório, ao infame, ao vergonhoso e ao ridículo. E na seqüência do complemento bíblico, no paralelo messiânico, para depois fustigar e matar esta pessoa.

O mesmo processo, em uma similaridade unicamente humana com a pessoa de Yeshua, pode estar fazendo parte da vida de alguma outra pessoa neste exato momento. Pode ser que para esta pessoa, seja ela quem for desde que tenha aliança com D’us, as ameaças dos seus inimigos já estão se tornando mais sensíveis e até mais visíveis e ela começa a perceber a aproximação de seus implacáveis algozes que, como feras, já a rodeiam preparando para o ataque fatal.

Em 1Pedro 5.8 vemos:

 

Sede sóbrios; orai e vigiai; porque o diabo, vosso adversário, anda em vosso derredor, bramando como leão, buscando a quem possa roubar, destruir e matar”.

 

O roubar aqui será mais facilmente desvendado e denunciado se compreendermos que o roubo pode muito bem começar pelas suas próprias vestes. E porque não seria justamente assim? Roubar aquilo que cobre sua vida de dignidade, senso, moral e de ética é muito motivador para os salteadores ao longo de seu caminho. Roubar a vestimenta de sua vida que te protege e que te ornamenta para depois de despido te fustigar com castigos dolorosos para finalmente te matar em um suplício indescritível bem se ajusta aos propósitos do inferno. Até porque, na verdade, as roupas de Yeshua foram roubadas dele, ninguém lhe pediu e obteve dele permissão para se apropriar de suas vestes, não consta em momento algum nos Evangelhos que ele lhas tenha dado para alguém. Eram dele e, vejam bem, tomaram as vestes pessoais do nosso Yeshua.

 

Não importa as vestes que te cobrem neste momento, elas são suas, não as entregue nas mãos dos adversários, não permita que eles as tomem de você. Pode ser que elas já estejam brancas, limpas e puras e aí está o motivo para defender suas vestes tenazmente e não as entregar jamais ao inimigo. Com seus esforços pessoais e com a ajuda de D’us você as conquistou neste nível; são suas. Ao inimigo nada além da derrota dele. Outras vezes elas já podem estar gastas, ou até mesmo sujas, se é que já não estão pequenas e apertadas, mas mesmo assim, não as entregue nas mãos do inimigo, antes, as troque por vestes alvas, novas e confortáveis vindas de D’us e só depois de se vestir adequadamente abra mão daquelas que já não mais lhes são úteis. Jamais permita que o inimigo te dispa daquilo que é a sua cobertura, jamais permita ser despido de suas vestes. Só tire suas vestes depois de ter tomado posse de uma nova muda de roupas. Interrompa as intenções do inimigo já desde o início para que este plano macabro seja rompido e você seja liberto antes da flagelação e da crucificação; ou seja, nem chegue a ficar nu, para que depois de nu você não apanhe e acabe morto nas mãos do adversário. Quebre a seqüência maligna vista mais acima.

 

O inimigo está quase te agarrando para tentar tirar de você suas vestes? Lute, defenda-se, entre em batalha espiritual, consagre um jejum, busque a D’us acima de tudo, cubra-se ainda mais da unção, do poder, da luz, da graça e da glória do D’us Altíssimo. Lute para manter consigo a vestes que te custaram uma busca, um esforço, uma procura, uma entrega ou uma renúncia na presença de D’us. Suas vestes são o resultado de suas conquistas: santidade = vestes alvas e bonitas, pecados = vestes sujas e feias. Mas defenda suas vestes se realmente valer à pena. Se perceber que já são trapos rotos e sujos que precisam mesmo de ser trocados, pois não resistirão às lutas e às investidas, mesmo assim não os entregue ao inimigo que só te condenará, pois nada ele pode te perdoar e assim ele somente assolará a sua vida ainda mais. Não fique nu, não fique exposto sem cobertura nem por um instante na presença dos seus inimigos. Corra para a presença de D’us mesmo com vestes inadequadas e peça ao Eterno para terevestir (tornar a vestir) com outras vestes de maior valor, pois só Ele pode tornar tudo novo e limpo com o Seu perdão e, só depois de ter se vestido novamente, aí sim, jogue os trapos inúteis na cara do inimigo; já não mais lhe farão falta – afinal, pecados perdoados por D’us tem mesmo de ser atirados na cara do inimigo. 

 

Suas vestes agora são outras, novas, limpas e puras; santas e a estas saiba preservar, conservar e defender.

 

 

Eis a realização da promessa de D’us na minha e na sua vida: 

 

 

“Vestirei de honra os meus sacerdotes e os meus santos exultarão”.

(Salmos 132.16)

 

 

 

 

Pastor e Profeta Eder Pinheiro   
C.E.M - COMUNIDADE EVANGÉLICA MAKADESH   
"Porque todo o Plano de D'US em nossas vidas começa e continua com a santidade!" 

הכומר של ישוע אין הנ ביא משיח

São Paulo, às 03:15 do dia 7 de Abril de 2010.