Vampiros e outros Bichos mais

Ultimamente tenho ficado incomodado com uma situação onde o cinema, a televisão e a literatura vem bombardeando o inconsciente coletivo, principalmente da puberdade e da adolescência, com uma intensa propaganda de vampiros e lobisomens jovens, atraentes, românticos, sedutores, belos, poderosos e sensuais (até moralistas e éticos eles são!); e outras características que cheiram a carne e sangue. Os rostos cadavericamente embelezados dos atores que representam esses seres estão estampados nas capas e rótulos de incontáveis produtos encontrados em toda parte. Principalmente a figura do vampiro, e o que ela representa, tem seduzido e conquistado uma legião de fãs apaixonados. Fiquei admirado ao constatar, em uma grande livraria de São Paulo, dois livros entitulados "100 Dicas Para Conquistar Um Vampiro" e "Como Namorar Um Vampiro". Parece que tem ser humano perseguindo vampiros por aí. Pior, tem meninas buscando serem seviciadas por vampiros. Devido a inexistência, estes seres não me preocupam, mas me preocupa é o imaginário popular amar estas anomalias e desejá-las com paixão. O arquétipo destes seres anômalos está passando por uma transformação produzida pelas mentes que idealizam suas estórias e produzindo, conseqüentemente, uma transformação na aceitação dos mesmos. No passado personificavam o mal e torcíamos para vermos o momento em que morreriam com uma estaca de madeira encravada no peito ou incinerados pela luz solar. Hoje, a torcida é outra; espera-se que vivam, que sejam vencedores e que a mocinha prefira deixar a vida e entrar na morte desde que nos braços do belo vampiro. Nem mesmo os clamores dos próprios vampiros para que a humana desista desta loucura é o suficiente para acordar a tresloucada de sua insanidade. E os humanos que assistem e lêem, claro, torcem em favor da opção pela escuridão. Penso que esta fase é mais que meramente mercadológica, é uma inversão de princípios na estrutura do imaginário popular. Denuncia uma reestruturação da escala de valores do inconsciente coletivo onde o arquétipo do mal se coaduna com a condição humana e até faz com que esta o aceite, deseje e abdique de si mesma para passar a ser então a própria anomalia. A ordem natural das coisas está sendo transmutada. Lê-se a raça humana desistindo de sua condição humana, trocando o mundo dos vivos pelo mundo dos mortos; há um cheiro de sepulcro no ar! Penso no que poderá estar faltando na vida de um ser humano para ele buscar na idéia de sua morte, ou no que ela representa para si mesmo. É mais grave que um suicídio. O que estará acontecendo na estrutura íntima para que o ser humano prefira ser um ser anômalo? Vivemos um paradoxo: Ser Humano x Ser Anômalo! Não consigo identificar nem experienciar o fator poético nesta questão. Houve uma época, em um passado não tão distante assim, que as drogas também foram cantadas e escritas em cores e letras coloridas, belas e divertidas, e psicodelicamente aceitas por muitos. Hoje as drogas se confirmam como um cancro letal e avassaladoramente destruidor de vidas e da própria sociedade onde ninguém mais sabe o que fazer para deter esta epidemia moral e social. O drogados de ontem, que se safaram, devem olhar hoje no espelho e suspirarem tristes: o que foi que fizemos? Atualmente passamos por este fenônemo do inconsciente e do imaginário coletivo onde não é mais o mal que tenta penetrar e corromper o bem, mas sim o bem que deseja apaixonadamente penetrar e se dar ao mal atraído por seus irresistíveis representantes masculinos e femininos. A atração física e o sexo destes seres anômalos hoje se camuflam sob a pele falsa do amor e da paixão; o mesmo ocorreu na era psicodélica. Novamente os instintos mais primitivos do ser humano estão escavando mais um degrau na descida em sua própria sepultura! Não posso deixar de discernir uma presença de significativa inteligência e estratégia, ameaçadoramente maligna e intangível por detrás de tudo isto arquitetando o fim da odisséia do homem na Terra. Sobreviveremos a mais este ataque? E se sobrevivermos, como estaremos? em que estado moral, ético, psíquico, físico e espiritual nos encontraremos no futuro? Se é que teremos algum.
 

Rabi Eder Pinheiro (Pastor e Profeta)