Separações e Abandonos

Separações e abandonos são como um elástico esticado que seguramos de um lado e que alguém solta do outro e a parte que estava com a outra pessoa se volta contra nós nos atingindo com um impacto assustador que nos machuca com dor. Melhor é não esticarmos o elástico, se for esticado é porque há conflito e tensões no relacionamento e pode arrebentar a qualquer momento. Melhor mesmo é andar lado a lado, ombro a ombro, abraçados ou de mãos dadas sem qualquer elástico entre ambos!

Muitas pessoas estão chorando porque alguém as deixou. Quando somos abandonados por quem amamos o mundo desaba e muitos dos nossos princípios e valores também desabam porque concluímos que se fomos abandonados é porque nada em nós foi suficiente para manter conosco a pessoa amada. Que valor eu tenho se não fui capaz de ficar com quem amo? Perguntas assim martelam os pensamentos e vamos concluindo, ainda mais, que se não fomos capazes de ter conosco quem amamos, é porque tudo em nós é de teor e validade questionáveis. A sensação de falência das emoções e dos sentimentos gera um misto de dor e angústia que nos leva a um vazio existencial e até a uma obsessão por quem nos abandonou. O fantasma da rejeição nos acusa e nos atormenta pelos cômodos vazios da nossa solidão. E quando chegamos a este nível, devido à baixíssima alto-estima, podemos desenvolver uma postura obsessiva pela pessoa, nos prestando a cenas, palavras e ações que nos humilham, deprimem e destroem ainda mais o nosso amor próprio.

Olhamos para trás e podemos perceber que fomos diminuindo nossa vida dentro de nós mesmos enquanto aquela pessoa ia se agigantando no nosso interior. E quando ela por fim saiu de nossas vidas, ficamos com um enorme buraco na nossa existência. Nenhum ser além do Espírito Santo pode ocupar tanto os nossos espaços interiores! Qualquer pessoa que permitirmos que o faça, além d’Ele, nos fará sofrer. Ele não nos fará sofrer porque gerará em nós a plenitude de nossas vidas para nós mesmos. Mas todas as outras pessoas nos farão sofrer porque reproduzirão dentro de nós a si mesmas e, em proporções doentias, nós iremos sendo como que “expulsos” de nós mesmos para que apenas elas reinem em nossas vidas. Agora compreendemos porque D’US nos pede para amá-Lo sobre tudo e todos. Ele é O único que poderá cuidar do nosso amor para o nosso próprio benefício. Quando Ele é grande em nós, até para amar e se relacionar fica muito mais fácil para nós mesmos e para a outra pessoa.

Mas, e quanto ao amor às pessoas? Vamos amá-las sim, e muito, compartilhando nossos espaços interiores, em proporções adequadas para cada uma, sem nos esquecermos que os principais espaços são destinados a D’US e nós mesmos. Não esquecer o amor a D’US e a nós mesmos, é que nos dará as condições de amar e ter um relacionamento saudável com a outra pessoa. E se um dia ela se for, ficaremos mais intactos, menos fragmentados porque os níveis mais nobres e altos de nossos sentimentos foram reservados e sobre eles repousam o amor do PAI e o amor que temos por nós mesmos. Assim ficará mais fácil recobrar a alta alto-estima, o amor próprio, sacudir a poeira da experiência mal sucedida e dar a volta por cima amando novamente. 

Shalom!
 
Pastor Eder Pinheiro - www.comunidademakadesh.com
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