Nôach Constrói a Arca

D'us havia falado para Nôach sobre um poderoso dilúvio universal. Mas também assegurou a Nôach que ele e sua família estariam a salvo. Onde eles achariam um local seguro, que não pudesse ser invadido e destruído pelas águas? Nôach ouviu a resposta através desta ordem que veio de D'us:

"Construa para você uma arca (teva) de madeira. Ela flutuará sobre as águas."

Nesta arca especial, Nôach e sua família sobreviveriam à terrível inundação e estariam protegidos. Ela foi construída por Nôach seguindo todas as instruções recebidas por D'us:

"Construa a arca com trezentos amot (cerca de 180 metros) de comprimento, cinqüenta amot (cerca de 30 metros) de largura e trinta amot (18 metros) de altura. Deve ter três andares e conter trezentos compartimentos diferentes (segundo a opinião de alguns dos nossos Sábios, 900 compartimentos). Ponha uma janela para entrar claridade e construa o telhado inclinado para que a água escorra. Depois que estiver pronta, passe piche por dentro e por fora para evitar que a água entre por suas fendas."

Podemos imaginar a dificuldade na época para construir-se um barco nestas proporções. Nôach era completamente desprovido de instrumentos como serra elétrica ou brocas para desempenhar esta missão; construiu a arca manualmente. Levou cento e vinte anos para que terminasse sua obra.

Era precisamente o que D'us queria: dar a oportunidade para que os habitantes da terra se arrependessem de seus atos e fizessem teshuvá, retornassem ao bom caminho. Ele esperava que, durante estes cento e vinte anos, a notícia de que Nôach estava construindo uma arca se espalhasse pelo mundo inteiro para que desta forma fosse despertado o temor e arrependimento e apressasse as pessoas a corrigir suas falhas.

De fato, chegou aos ouvidos das pessoas a notícia de que um grande barco estava sendo construído por um homem.

"Por que você está construindo este barco? - perguntavam a Nôach.

"Estou construindo," explicava Nôach, "para me salvar do enorme dilúvio que D'us enviará sobre a terra. Ele exterminará todos vocês por causa de seus pecados."

As pessoas levaram a sério as palavras de Nôach? Nem um pouco. Suas vozes ribombavam com risos enquanto zombavam das palavras de Nôach.

"Quem se importa?" gritavam eles. "Somos tão fortes, que não tememos um dilúvio. Podemos subir nas árvores e nos telhados. Mesmo se as águas lá chegarem, seremos mais altos do que a inundação, porque somos gigantes."

De fato, as pessoas que viviam naquela época eram enormes.

Nossos Sábios explicam:

Porque as pessoas no tempo de Nôach não temiam uma inundação

Dois Sábios, Rabi Chiya e Rabi Yehudá, estavam passando por altas montanhas, entre as quais acharam ossos gigantescos.

"Estes ossos são restos mortais da geração do mabul (dilúvio)," disseram eles. "Vamos medi-los."

Cada osso era tão comprido que tinham que dar três passos para ir de um extremo ao outro!

"Agora compreendemos porque os contemporâneos de Nôach não tinham medo do dilúvio!" - exclamaram. "Eram verdadeiros gigantes! Acreditavam que nenhuma inundação pudesse ser tão grande a ponto de afogá-los, e achavam que evitariam que os poços profundos vertessem água apenas pisando sobre eles. Não é de admirar que tivessem certeza de sobreviver à maior das inundações."

D'us Ordena a Nôach para Trazer os Animais e sua Família para Arca

O som das marteladas espalhava-se no ar, o que não era motivo de alegria para Nôach, que sentia o fim da civilização aproximar-se a cada tábua colocada. Os avisos de Nôach eram sempre recebidos com risadas e palavras duras. Apesar disto, ele obedecia às ordens do Criador e continuou construindo até que o último prego estivesse no lugar.

Ao ficar pronta a arca, apesar de D'us sentir-se satisfeito por Nôach ter cumprido Sua ordem, estava infeliz por ter de destruir Sua criação. Disse então:

"Estou muito triste por ser forçado a destruir o mundo maravilhoso que criei em sete dias." E ordenou a Nôach: "Traga para a arca um macho e uma fêmea de cada animal não-casher e sete pares de cada espécie casher. Traga também suprimento de comida para um ano, para você e os animais."

Sete dias depois, a 17 de Cheshvan de 1656, começou a chover. D'us ordenou a Nôach e sua família: "Entrem na arca."

Nôach, sua mulher Naama e seus filhos Shem, Cham e Yefet, com suas esposas, entraram na arca.

A chuva era cada vez mais forte. Os oceanos, rios, lagos e riachos transbordaram até que a terra ficou inundada. Fontes quentes brotaram das profundezas da terra, partindo a crosta e jorrando água fervendo.

A água começou a subir cada vez mais alto. As pessoas compreenderam que as advertências de Nôach eram verdadeiras; subiram nos telhados e nas copas das árvores, mas as águas aumentavam cada vez mais. Muitos dos gigantes correram para escalar as montanhas. Mas as águas subiam mais e mais até que cobriram o topo das montanhas mais altas.

Algumas pessoas gritaram: "Vamos fugir para a arca para nos salvar!"

Mas, milagrosamente, D'us fez com que seus pés ficassem presos na água. Embora tentassem se mover para a frente, não conseguiam sair do mesmo lugar.

Alguns dos homens perversos gritavam: "Vamos virar a arca! Por que Nôach tem que se salvar?"

Mas, quando se aproximaram da arca, tiveram uma visão assustadora: leões surgiram rugindo ao redor da arca, prontos para devorar quem se aproximasse. D'us milagrosamente protegeu Nôach e sua família.

A chuva destruiu todos os seres vivos, homens e animais fora da arca. (Os peixes foram uma exceção, pois permaneceram vivos).

Nôach e sua família cuidam dos animais na arca

Não vamos pensar nem por um minuto que Nôach e sua família viviam confortavelmente e bem acomodados na arca enquanto o resto do mundo sofria lá fora. Eles tinham que alimentar milhares de animais que levavam na arca.

Tão logo Nôach adormecia, exausto após um dia de trabalho duro cuidando dos animais, era acordado por um grito estridente ou o rugido de um animal faminto. Num instante, Nôach arrastava-se cansado para fora da cama e começava a trabalhar, pois sabia que os animais dependiam dele para obter comida.

Seus filhos - Shem, Cham e Yefet - também passavam a noite acordados, os olhos vermelhos e cansados por falta de sono, pois também sentiam a grande responsabilidade de cuidar constantemente dos animais. Noite após noite, Nôach e sua família se privavam do sono reparador para atender aos chamados dos animais. Durante o dia também não era possível ter algumas horas de sossego, pois os zurros, latidos, rugidos e gorjeios não tinham fim.

Nôach e sua família também sofriam com o cheiro dos animais, que era forte e desagradável; entrava por suas narinas, irritando a garganta.

Além disso, ouviam o terrível estrondo das ondas furiosas do lado de fora da janela. Estavam assustados e tinham o coração paralisado de medo. Rezavam incessantemente, suplicando a D'us que os protegesse.

Por trabalharem tão intensamente com os animais e rezarem o tempo todo, Nôach e seus filhos se tornaram tsadikim (justos) ainda maiores. Agora realmente mereciam ser salvos.

D'us não permitiu que nenhum animal selvagem da arca fizesse mal a Nôach ou à sua família. Todos os animais selvagens da arca se portavam como se fossem mansos. Muitas vezes, Nôach pisava em cobras ou escorpiões, mas nunca foi picado. Apenas uma vez, Nôach estava atrasado com a comida do leão e este lhe deu uma forte patada na perna e Nôach saiu sangrando e mancando.