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TRANSE RELIGIOSO NO PROTESTANTISMO

postado em 10 de fev de 2011 13:06 por Usuário desconhecido

TRANSE RELIGIOSO NO PROTESTANTISMO

Jacyara P. Lopes de Melo (*) 

O transe geralmente é estudado em comunidades religiosas de negros e, por muito tempo, foi alvo de discriminações racistas que declaravam serem essas manifestações de êxtase e possessão apenas coisa de negros ou índios, ou seja, segundo os brancos, de "selvagem". Talvez, por essa concepção etnocêntrica, poucos estudos se fizeram na direção de perceber que o transe também é característico de religiões de brancos. O transe protestante manifesta-se; sobretudo, no pentecostalismo, religião protestante nascida no século XX, e no neopentecostalismo - vertente do pentecostalismo. Seus cultos giram em torno da prosperidade material, física e emocional/espiritual - que baseiam suas doutrinas no batismo do Espírito Santo. Este se caracteriza através do transe místico, ou seja, c onsoante Rolim (1987), o batismo do Espírito Santo é considerado como sendo o Espírito Santo se apossando do fiel, que tem como sinal exterior, principal, de sua presença, proferir palavras estranhas (glossolalia), ou pelo sapateado (espécie de marcha, onde a pessoa bate com os pés, no chão, com grande intensidade). Os estados de transe podem, consoante Lewis (1971), serem imediatamente induzidos na maioria das pessoas por uma série de estímulos, aplicados separadamente ou combinados, tais como: música, dança, jejum e outros. Realizando pesquisa bibliográfica, entrevistas e observação participante em igrejas pentecostais concluímos que o transe não pode ser explicado recorrendo-se a dados psicopatológicos, visto que ele constitui um traço cultural, normal e obrigatório entre os pentecostais e neopentecostais. É parte de um ritual religioso, onde o pastor, ou pessoa habilitada, em determinado momento do culto, impõe suas mãos na cabeça do fiel e ministr a o batismo do Espírito Santo. Acontece de acordo, portanto, com um cerimonial que é controlado desde que aparece até seu término. É, portanto, na concepção durkheimiana, um fato social.

(*) Melo, Jacyara P. Lopes de - Academia de Ciências Sociais/ UFMA - Universidade Federal do Maranhão; PIBIC - Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica.
 

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