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IGREJAS-EMPRESAS FAMILIARES

postado em 27 de nov de 2012 16:39 por Usuário desconhecido

Igrejas-Empresas Familiares

Eder Pinheiro (*)

A essência espiritualmente eclesiástica que define um grupo de pessoas reunidas num certo local em busca do sagrado, do divino vem sofrendo adulterações ao longo do tempo e muitas destas instituições, a que chamamos igrejas, têm assumido aspectos completamente antagônicos às suas verdadeiras origens e fundamentos no ponto de vista cristão. Entre muitas destas instituições, com suas características únicas, que causam tanto espanto no cenário cristão-protestante, iremos destacar aqui aquelas que em tudo se assemelham a uma empresa comum de mercado. Pasmem, mas é isto mesmo, são como empresas tanto na formação, como na estruturação, como no trato com os valores temporais e atemporais, como no relacionamento entre as pessoas, como no estabelecimento de metas, métodos e estratégias que em nada diferem das empresas que engrossam as acirradas competições de um capitalismo selvagem.

Este fenômeno anômalo que vem ocorrendo ha muito tempo no seio da Igreja, veio na onda de um avivamento fervilhantemente anímico e nos dias de hoje já se encontra bem formatado e normalizado, mas com os seus dias contados, e aqui tentaremos esmiuçar as propriedades contaminadas e contaminantes desta horda religiosa que intitulamos “igrejas-empresas familiares”.

As igreja-empresas familiares, pseudo-templos, são comandadas pelos “empresários religiosos”, pseudo-sacerdotes, como se gerenciassem uma empresa corporativa qualquer com algumas tonalidades de coronelismo; gostam de criar documentos, sistemas, procedimentos, controles, fichas, organogramas, etc. (são bem burocratas), e também têm a mania de interagir com as pessoas segundo os parâmetros frios e pragmáticos das hierarquias e fluxos intrinsecamente empresariais. Também se caracterizam por tratar o seu rebanho, de forma contrária ao que é preconizado na Obra de Cristo, como se fosse chão de fábrica, mantendo-o absolutamente subjugado e sob total controle, porque dele não interessa mais nada além dos recursos financeiros que geram para manter a economia da empresa familiar chamada “igreja”.  

Por isso, no seio deste tipo de instituição é que pululam tantas doutrinas duvidosas, visões corrompidas, metodologias tendenciosas, campanhas, pseudo-teologias e tantos outros artifícios, como forma de justificar, através de uma maquiagem religiosa, o sórdido controle subjugador sobre o rebanho que é o gerador de divisas para as famílias dos pseudo-sacerdotes. Todo um compêndio doutrinário é mantido com o único propósito de extrair das pessoas a maior quantidade possível de dinheiro e obediência (não a D’US mais aos homens).

Não foi o poder em primeiro lugar a motivar homens e mulheres a construírem uma caricatura de igreja para extorquir o povo, mas sim o dinheiro, o precioso (e vil) metal que carrega em si todas as virtudes como também todas as corrupções foi o que levou a esta adulteração eclesiástica tão vergonhosa. Primeiro o dinheiro e depois o poder, o status, o domínio, o sucesso, os fãs como conseqüências da corrupção monetária nas mãos do corruptor religioso.

A proliferação de igrejas controladas por famílias que têm nas mesmas a maior, senão única, fonte de renda já justifica por si esta metodologia esquemática que mistura interesses pessoais com nuances diabolicamente ridículas para garantir seu sustento através do engano do povo.

Entre os vários artifícios utilizados na alienação de valores e princípios nas pessoas, também lançam mão no de fazerem conchavos, a que dão o nome de “alianças”, com os seus membros. É interessante observar que as tais “alianças” que estes pseudo-sacerdotes firmam com seu rebanho, na verdade nada mais são que laços que prendem as pessoas nas mãos destes líderes, pois desta forma eles acreditam aprisioná-las pelo sentimentalismo e pela manipulação do moral e da ética, o que na verdade é feito com intenções e argumentos totalmente imorais e anti-éticos.

Outra forma de “manter” o rebanho é impressionando-o e oprimindo-o com a temática de que cada um está debaixo de uma suposta cobertura espiritual de seus líderes, de onde não podem sair, salvo se o próprio DEUS em pessoa assim o determinar. Dizem que a saída de alguém de debaixo de suas supostas coberturas é um terrível pecado de rebeldia, com todas as demais execráveis características possíveis. Sair de debaixo, deixar este líder é ser como um vil traidor ou como um crápula rebelde que merece, entre outras coisas, ser difamado, caluniado e amaldiçoado de púlpito como praticado comumente por esta espécie de líder. Estas são palavras malditas, porém totalmente vazias e inócuas, as quais gostam de usar contra aqueles que não aceitam tal escravidão de espírito.

Também foi por eles inventada uma certa “árvore ministerial” para cada pessoa, sem nenhum respaldo na Bíblia, que pretende afirmar que a “carreira e herança ministerial de uma pessoa” está plantada naquela suposta “igreja” e qualquer movimento impróprio poderá afetar esta tal árvore ministerial terrivelmente causando-lhe gravíssimos danos – balela - sendo, portanto, melhor deixá-la plantada ali mesmo para permanecer cuidada por eles e para dar “frutos”; também para eles, é claro. Muitos não arredam pé destes lugares porque tolamente acreditam que a fábula de sua árvore ministerial, que de fato não existe, está plantada naquele lugar e é melhor deixá-la quieta lá mesmo para não sofrer algum dano. Quanta criancice espiritual!

Os três parágrafos acima, nada mais são do que exemplos de condicionamentos, praticados por estes empresários religiosos, que visam arraigar o indivíduo naquele sistema arquitetado para aprisionar, tolher o raciocínio, impor temor e submissão aos seres humanos, como forma de manter este rebanho impassível mediante as manobras de uma tosquia desonesta e ultrajante.

Assim, mantido o rebanho devidamente amarrado, amordaçado, manietado e impensante, a preocupação agora é fazê-lo gerar divisas; é lucrar com este rebanho em dinheiro vivo.

Outra manobra utilizada por estes lobos-sacerdotes é realizar um verdadeiro leilão de títulos eclesiásticos, ou seja, usam uma suposta promoção eclesiástica como forma de manter entre as pessoas uma disputa por títulos onde estes são distribuídos, não por mérito espiritual e de estudos, mas sempre entre aqueles que mais compactuam com eles ou que mais dão dinheiro para a cúpula da organização. Desde que todos os candidatos já estejam devidamente “doutrinados” e já estejam contribuindo cada vez mais com os interesses comuns da horda. Claro que os escolhidos para receberem estes insípidos títulos clericais, de fato, nenhuma autoridade exercem sobre a organização, pois esta está devidamente mantida nas mãos da família regente; são seus membros que controlam e governam tudo.  Aos intitulados entre o rebanho, cabem tarefas secundárias e menos expressivas sempre em concordância com os ditames da cúpula controladora.

E por falar em estudos, é bom lembrar que nestes lugares os estudos formais da área teológica, eclesiástica e filosófica são extremamente mal vistos. Estes lugares sempre têm seus próprios cursos internos dentro, claro, de sua própria sistemática. Abominam qualquer conhecimento vindo de fora mesmo sendo de uma fonte fidedigna que possa levar o seu rebanho a compreender as verdades.  Temem, desestimulam, desencorajam e até proíbem que seu rebanho busque em outro lugar um conhecimento que seja íntegro e coerente com as Escrituras Sagradas.

Também uma intrincada manobra política, um acirrado lobby, que envolve manipulação, influência, abuso de autoridade e, até mesmo, falsas revelações, falsas visões e falsas audições espirituais, e que circula somente entre os membros da família regente, promove um engodo em todos de forma que sempre são tomadas as decisões e direções que se ajustam perfeitamente aos propósitos da família, mas que são anunciados como a vontade inquestionável de Deus. O rebanho pode discutir exaustivamente sobre qualquer assunto, e muitas destas discussões são mesmo provocadas para disfarçar o resultado que a família quer e a ele todos chegarão mais cedo ou mais tarde. É uma trama e uma ciranda para levar todos onde eles querem. Para facilitar isso, todos os membros da família regente recebem títulos clericais e assumem a chefia de postos de confiança dentro da organização, mesmo se não exercerem de fato ou se exercerem relapsamente, seus títulos são mantidos porque desta forma podem fazer suas intervenções a torto e a direito nas atividades de todos. Assim mantêm as rédeas de tudo em suas mãos, o controle está em suas mãos e induzem todo o rebanho a olhar para eles com olhos inferiorizados porque eles são, afinal, uma “família sacerdotal”, portanto, estão em um nível diferenciado superior em relação ao reles rebanho.

Para que esta inferioridade seja consensual e mansamente absorvida por todo o rebanho, frequentemente membros do rebanho são chamados para ministrações particulares de cura interior, ou ministrações de libertação que, em suma, nada mais são do que um escancarar das intimidades para estes líderes onde as pessoas confessam absolutamente tudo de que se lembram - e até mesmo o que não se lembram, pois afirmam que estão sabendo por “revelação”.  Normalmente estas sessões são feitas com a presença de membros da família regente. Mas jamais os membros da família regente passam por sessões como estas na presença de representantes do rebanho por mais santos que sejam.  Absolutamente todos da organização são submetidos a estas sondagens profundas de suas intimidades perante os líderes da organização, que são todos da família regente, mas os membros da família regente jamais passam por este processo ainda mais na presença de algum membro do rebanho. É como se afirmassem tacitamente que os membros da família regente já estão prontos em todos os sentidos; podem até ter pecado de alguma forma, mas ninguém sabe a quais procedimentos são submetidos nem a forma como tudo se resolveu, apenas informam, quando informam, que já está tudo acertado e que agora Deus está lhes entregando uma grande responsabilidade - e os aplausos dos incautos explodem em toda a congregação. Porém, o mais comum é que nenhuma satisfação seja dada e depois de suas fases obscuras, apenas voltam superiores e acima de todo o rebanho como se nada tivesse acontecido. Perfeição esta que nenhum membro do rebanho jamais atingirá perante a família regente.

Até os filhos menores da família regente são vistos de forma superiorizada por um inferiorizado rebanho. Muitas vezes são crianças e jovens que dão testemunhos bem contrários, mas acabam  sendo paparicados por todo o rebanho e vistos como “anjinhos filhos de santos”, pois afinal, trata-se de um filho ou de uma filha de algum membro da família regente e isto já é o suficiente para serem tratados como pequenos tiranos, como tiranos são tratados os seus pais por um rebanho submisso. Pais e filhos da família regente se esforçam para passar a todos que são “diferentes”, “melhorados”, que possuem uma maneira sublimada de passarem pelas circunstâncias da vida e que sempre são bons exemplos a serem seguidos em tudo.  Uma maquiagem, quiçá uma máscara bem elaborada que os disfarça perante todos.

Desta forma assim se constitui uma igreja-empresa familiar. Tudo é arquitetado de forma a que esta família regente subsista e tenha seus recursos garantidos através da exploração de um rebanho que é doutrinado para isto; apenas para sustentar em todos os aspectos tangíveis e intangíveis a esta família de empresários religiosos.

 

Eder Pinheiro, pastor dirigente da C.E.M – Comunidade Evangélica Makadesh  - WWW.comunidademakadesh.com  - Abril (Outono) de 2012.

 

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