Avram Protesta Contra a Idolatria

Dez gerações depois de Nôach nasceu Avram (Abrão).

Novamente, todas as pessoas no mundo adoravam ídolos. Serviam ao sol, à lua e a muitas espécies de ídolos.

O pai de Avram, Têrach, era um homem muito ocupado. Por isso, pediu ao tio de Avram, Nachor, que cuidasse do menino.

A casa de Nachor, assim como a de todos, estava cheia de imagens; algumas de prata, ouro e cobre e outras de madeira. Nachor ensinou a Avram:

"Curve-se perante os deuses, Avram, pois eles são muito poderosos. Se não servir-los corretamente, castigá-lo-ão."

"Como são poderosos?" - perguntou o menino. "Não podem falar nem se mover!"

"Cada um deles governa outra parte do mundo, Avram.", lhe explicou Nachor. "Nimrod, nosso rei, é um deus. É mais poderoso que todos os outros deuses."

"Como uma pessoa pode ser um deus, tio?", perguntou Avram.

"Fica quieto, menino, não deves falar assim." - respondeu Nachor. "Se Nimrod te ouvir, vingar-se-á. Ouve o que lhe digo."

O pequeno Avram não estava satisfeito. Ninguém respondia satisfatoriamente a suas perguntas. Quem havia criado o mundo? Quem o havia feito e a todas as pessoas que o rodeavam?

Talvez o sol fosse um deus, pensou, pois era tão poderoso, Iluminava o mundo e fazia crescer as plantas. Porém, Avram observou que o sol apenas nascia e se punha todos os dias seguindo um padrão pré-estabelecido. Não tinha a capacidade de criar outros seres. Seria a lua, então, um deus? Não, tanto o sol como a lua agiam como servos que obedecem a ordens de terceiros.

Porém a quem obedeciam? Avram tinha apenas três anos quando descobriu, por si mesmo, a resposta. Compreendeu que o sol, a lua, o vento, a chuva, e toda a natureza seguem as ordens de D'us. Ele é o Criador Todo-Poderoso. Pode não ser visível, porém, Avram entendeu que o mundo é dirigido por Ele.

Avram disse, então, a seu tio Nachor e ao pai Têrach que não se curvaria perante os deuses. Somente perante D'us. Insistiu que eles também deveriam deixar de prostrar-se aos deuses. Mas não lhe deram atenção.

Quando Avram cresceu, seu pai Têrach deu-lhe um saco cheio de ídolos e lhe disse: "Vá e venda-os no mercado".

Avram levou consigo um martelo. Quando um cliente se aproximava e lhe pedia um ídolo, Avram batia na cabeça do ídolo com o martelo.

"Você quer ficar com este?" - perguntava para o cliente.

Em seguida, dava um golpe na cabeça do próximo: "Ou prefere este?" - perguntava.

Quando as pessoas viram como os ídolos permaneciam imóveis mesmo quando eram golpeados na cabeça, desistiam da compra.

Outra vez, Avram levou um saco cheio de ídolos para o mercado. Chegando lá despejou todo seu conteúdo. Em seguida, destruiu os ídolos na frente de todos.

Certa vez Têrach viajou. Avram pediu para sua mãe: "Por favor, sacrifique uma ovelha e prepare uma comida saborosa. Quero oferecê-la aos deuses do meu pai para que se sintam agradecidos."

A mãe preparou uma comida deliciosa e Avram colocou-a na frente dos deuses.

"Comam", lhes disse. Mas nenhum dos deuses provou a comida.

Avram riu: "Talvez não gostem deste prato", disse aos deuses, "ou pensam que não lhes trouxe comida suficiente. Amanhã lhes servirei algo melhor".

No dia seguinte disse à mãe: "Os deuses não gostaram da comida de ontem. Por favor prepare uma refeição mais farta e melhor hoje!"

Sua mãe assim o fez. Avram pôs uma comida farta e deliciosa perante os deuses.

"Tomem", disse-lhes.

Sentou-se próximo aos deuses para observar se comiam, e assim ficou o dia todo. Nenhum dos ídolos se mexeu.

Nesta noite Avram estava furioso." Ai do meu pai e toda esta geração", exclamou. "Servem ídolos que não podem caminhar, nem mexer-se, nem escutar, nem enxergar ou cheirar".

Avram pegou o machado de seu pai, e destruiu todos os ídolos, com exceção do maior.

Neste momento, Têrach regressava de sua viagem, escutou os golpes do machado e o barulho de madeira e metal sendo destruídos.

"O que será isto?", exclamou. "Parece vir da sala do templo".

Correu para dentro. Avram acabava de terminar sua obra de destruição. Deixara apenas o ídolo maior, e havia colocado o machado em seus braços.

"Por que destruíste meus deuses?", gritou Têrach.

"Não fui eu", respondeu Avram. "Brigaram pela comida que lhes dei e o maior deles pegou o machado e quebrou os demais".

"Mentiroso!", replicou Têrach. "Não podem quebrar uns aos outros! Nem sequer podem mover-se!".

"Pai", disse Avram. "Então por que os serve? Por que deposita sua confiança nestes ídolos? Podem te salvar do perigo? Podem ouvir suas preces?"

"Estás cometendo um grave erro em adorar estas imagens. Tu e todos os outros esqueceram de D'us, o verdadeiro e único Criador do Céu e da Terra. Nossos antepassados também se esqueceram Dele e por isso D'us mandou o dilúvio. Por que então você deixa-O novamente aborrecido?"

Rapidamente, Avram pegou o machado, despedaçou o último e maior ídolo e saiu correndo da casa. Têrach estava furioso. Ele era um súdito leal do rei e a conduta de Avram não podia ser ignorada. Têrach foi ao palácio do Rei Nimrod e disse ao rei:

"Deves julgar meu filho por se revoltar contra os deuses."