A Torre de Babel

Somente trezentos anos se passaram após o dilúvio quando as pessoas perversas decidiram novamente se revoltar contra D'us.

O líder daquela geração era o rei Nimrod, monarca poderoso e forte. Em sua arrogância, afirmava ser um deus, porque queria dominar o mundo inteiro. Por isso, persuadiu as pessoas a não obedecer o Criador. Nimrod sugeriu:

"Vamos construir uma cidade na qual viveremos todos juntos. No meio da cidade, ergueremos uma torre bem alta. Se D'us mandar outro dilúvio, subiremos nela para ficarmos a salvo."

A idéia foi recebida com muito entusiasmo. Algumas pessoas levaram a idéia até um pouco mais além, incitando:

"Vamos pôr um ídolo no topo da torre. Colocaremos uma espada em sua mão como sinal de que ele está lutando contra D'us."

As pessoas uniram-se e juntas começaram a construir uma torre que levaria um ano para chegar ao topo.

D'us falou aos setenta anjos que ficam à Sua frente para servi-Lo:

"Desceremos e desfaremos todos os seus planos! Vou dividir este povo fazendo com que falem línguas diferentes."

Até então, todos os habitantes da Terra falavam hebraico.

D'us desceu com Seus setenta anjos. Cada anjo fez com que um grupo de pessoas falasse uma língua diferente.

A confusão que se formou foi incrível! Um homem disse a outro: "Dê-me um tijolo."

Ao invés disso, o outro pegou um martelo e bateu em sua cabeça. Um mal entendido levava a outro e logo reinava uma enorme confusão.

Os anjos espalharam as pessoas pelo mundo inteiro. Esta geração é chamada de Dor Hahaflagá, Geração da Dispersão, porque foram dispersos por D'us.

Por que não foi destruída esta geração perversa como foi exterminada a geração do dilúvio? As pessoas que construíram a Torre de Babel agiram em paz e com amizade entre si; não havia discórdia entre eles como na geração do dilúvio. Isto era tão importante para D'us que, apesar de elas terem se revoltado contra Ele, não as destruiu.

A história a seguir mostra-nos a importância da paz e da amizade:

Uma história:

Alexandre, o Grande, e o povo altruísta

O poderoso imperador Alexandre, O Grande, viajou por muitos países. Certa vez visitou um reino longínquo atrás das escuras montanhas da África.

O rei daquele país deu as boas-vindas a Alexandre e ofereceu-lhe um lindo presente: pães de ouro sobre bandejas de ouro.

"Não vim aqui para ver teus tesouros," disse-lhe Alexandre.

"Então por que viestes?" - indagou-lhe o rei.

"Queria ver como julgas as pessoas no teu país," respondeu Alexandre. "Ouvi dizer que teu julgamento é justo e bom."

Enquanto conversavam, chegaram duas pessoas para serem julgadas pelo rei.

O primeiro homem estava tão transtornado que mal podia conter sua aflição.

"Comprei um campo deste homem," falou nervoso, "e nele encontrei um tesouro. Quero devolver-lhe o tesouro. Comprei somente o campo e não o tesouro. Não quero ficar com o que não me pertence!"

O outro homem, porém, se ateve a sua posição com firmeza.

"Vendi o campo com tudo o que contém," insistiu ele. "O tesouro é teu e não vou ficar com ele."

Os dois homens continuaram a discutir. Cada um insistia que o tesouro pertencia ao outro. Alexandre estava espantado:

"Como julgas este caso?" - perguntou, incrédulo para o rei.

O rei virou-se para o primeiro homem e perguntou:

"Tens um filho?"

"Sim," respondeu o homem.

"Tens uma filha?", perguntou para o segundo homem.

"Tenho," respondeu o segundo homem.

"Decido o seguinte," disse-lhes o rei. "Casem o filho dele com a filha do outro e dêem o tesouro para o jovem casal."

Alexandre ficou surpreso com esta decisão.

"Por que estás tão surpreso?" - perguntou-lhe o rei. "Não julguei bem? Como terias decidido em teu país?"

Alexandre respondeu:

"Provavelmente teriam prendido os dois homens e o tesouro seria confiscado pelo governo."

"As pessoas em teu país são tão ávidas por dinheiro?" - perguntou o rei, chocado. "O sol brilha em teu país e a chuva cai?"

"Certamente," respondeu Alexandre.

"Bem," concluiu o rei, "D'us não lhe dá sol e chuva pelo mérito das pessoas. Pessoas que brigam entre si e cobiçam as posses dos outros não merecem nem o sol, nem a chuva. D'us tem misericórdia dos animais e é só por mérito deles que cuida de seus país."