A Questão dos Dízimos e das Ofertas

De fato é ordenança de D’US que o povo pratique o ato de ofertar e de também dizimar. Como também é fato o legado de D'US de que SEUS sacerdotes recebam a representação física dos dízimos e das ofertas das pessoas, conforme a herança arônica (de Arão), estabelecida por ELE através do patriarca Moisés. Ou seja, o gesto de ofertar e dizimar vai para D’US e o produto da oferta e do dízimo vai para o sacerdote e obras eclesiásticas. Salvo as nuances propriamente estabelecidas para o povo hebreu, este legado tornou-se Estatuto Eterno de D'US para que a representação física das ofertas e dos dízimos do povo honrasse SEUS sacerdotes e seus trabalhos sacerdotais. Estatuto Eterno válido, portanto, para os dias de hoje e também para a posteridade.

Todavia, vale lembrar que a atitude espontânea de ofertar e dizimar não foi ensinada por vias humanas nos primórdios dos tempos. Não estava escrito em nenhum pergaminho mas estava, como ainda hoje está, impresso por D’US no foro íntimo das pessoas; no espírito de cada um de nós. Foi por este motivo, puramente inerente à natureza humana, é que os primeiros ofertantes assim o fizeram sem terem recebido ministração humana alguma sobre ofertas (Abel e Caim), como também, o primeiro dizimista assim o fez igualmente sem receber ministração humana equivalente (Abraão). A partir deles, tempos depois, é que surge o estatuto arônico onde o sacerdote seria honrado com as entregas do povo. O ato de ofertar e dizimar foi, primeiramente, impresso por D'US na natureza humana e, posteriormente, o mesmo ato abrangeu os sacerdotes, conforme estabelecido por D'US, para o sustento destes  e de seus ofícios sacerdotais. Portanto, a pessoa que oferta e dizima entrega a D'US sua obediência e confiança e ao sacerdote a parte física, a representação física desta mesma obediência e confiança em D'US.

Também é  fato que D'US estabeleceu em SUA Tanach promessas de bênçãos para quem assim obedecesse a estes preceitos. D'US coloca no íntimo do homem o discernimento natural para ofertar e dizimar e depois estabelece que estes dízimos e ofertas sejam dedicados a ELE, porém fisicamente entregues ao sacerdote que O representa para sustento e manutenção do mesmo, e ainda reserva promessas de bênçãos para quem estiver ajustado a este contexto. Até aqui tudo está perfeito e tranqüilo.

Mas, a partir daqui, começa a entrar em vigor as mazelas do coração humano tão desesperadamente corrupto motivadas pelo vil metal. E fica difícil definir quem primeiro disparou o gatilho: foram as pessoas que na ânsia de serem abençoadas passaram a tentar fazer comércio, "comprar", as bênçãos de D'US??? Ou foram os sacerdotes que para terem mais para si mesmos e para suas atividades é que passaram a “vender” as coisas sagradas de D'US assim extorquindo as pessoas???

Cremos que ambas as partes dispararam ao mesmo tempo cada uma seu próprio gatilho e acabaram alvejando uma a outra; se feriram e ainda se ferem mutuamente. Tanto as pessoas, por diversos motivos, dos mais compreensíveis aos mais absurdos fizeram seus votos de tolo entregando seus valores como forma de obrigarem D'US a lhes abençoar, como também os sacerdotes, que por diversos motivos dos mais compreensíveis aos mais espatafúrdios saquearam as pessoas "vendendo" para elas as promessas de D'US sobre enriquecimento e prosperidade financeira. Assim surgiu um dos maiores males que vitima as coisas de D'US nesta Terra que é a "teologia da prosperidade". 

Claro que bênçãos foram reservadas a quem oferta e dizima, mas a mesma Tanach que diz isto também nos ensina a examinarmos o íntimo de nossos corações e nossas atitudes antes de praticarmos estes preceitos.  Também nos ensina que primeiramente devemos buscar é o Reino de D’US, ou seja, o reinar de D’US em nossas vidas para que todas as outras coisas nos sejam acrescentadas. E mais, também nos ensina que a Palavra é um todo indivisível e praticando apenas uns preceitos não somos eximidos de praticarmos os demais. 

Cremos que o sacerdote deve ensinar todos os preceitos de D’US estabelecidos em SUA Tanach sem querer valorizar apenas alguns devido ao retorno financeiro que estes podem lhe proporcionar. Cremos que as pessoas devem obedecer e cumprir com os preceitos de D’US como forma de serem aprovadas pelo PAI das Bênçãos, mas não como forma de apenas receberem as “bênçãos”.  Quem olha apenas para as bênçãos de D’US não ama a D’US sobre todas as coisas.  E quem deseja apenas a posse de suas próprias bênçãos não ama o seu próximo como a si mesmo, mas ama apenas a si próprio. E desta forma a consumação de todos os preceitos de D’US fica gravemente comprometida: pois nem se ama a D’US sobre todas as coisas, e nem se ama ao próximo como a si mesmo – isto válido tanto para laicos (pessoas) como para sacerdotes. O que é reservado a quem assim procede?

Portanto, é inaceitável que durante uma reunião religiosa qualquer tanto tempo seja gasto em ministrações a respeito de dízimos e ofertas. E nestas tendenciosas ministrações, os vendilhões do templo, vendem as ilusões e fantasias que o povo espiritualmente ignorante tanto deseja comprar como: enriquecimento, prosperidade financeira, sucesso profissional, glória empresarial, quitação sobrenatural de dívidas, mudança do saldo negativo para positivo, aparecimento de somas de dinheiro e mais uma série de promessas enganosas sem nenhum respaldo real e direto da Tanach. Incrementam suas “vendas” de bênçãos com expressões fanfarronas, bombásticas, gestos teatrais, explorando as emoções das pessoas, abusando da fé dos necessitados, e outras lamentáveis atitudes que açoitam e flagelam o Corpo de YESHUA. O Senhor YESHUA, quando viveu humanamente na Terra, tratou de forma exemplar estes vendilhões do Templo. Tememos que muitas pessoas, com graves faltas cometidas na Palavra e com D’US, possam acreditar que pecaram o mês inteiro mas terão seus pecados perdoados e até serão abençoadas quando no dia de seus pagamentos entregarem seus dízimos e ofertas ficando assim tudo bem para elas. Ledo engano!

Os que desta forma ou semelhantemente agem com o povo levando-o a errar e permanecer espiritualmente ignorante, são os adulteradores sofistas da Palavra, hábeis em distorcer a verdade que liberta e abençoa o povo de D’US.

Na verdade muito daquilo que os vendilhões prometem, ou até mais, é o que D’US realmente pode fazer com uma pessoa, porque ELE é Todo-Poderoso, mas não porque esta pessoa está entregando tolamente somas de dinheiro nas mãos destes falastrões. E aqui reside o ponto interpretativo nevrálgico da questão. D’US abençoa SIM de forma inimaginável, porque SEUS pensamentos são mais altos que os nossos, a pessoa que Lhe entrega o seu próprio coração como primícia, que O busca e ama acima de tudo e de todos, que procura primeiramente pelo Seu Reino em sua vida, que Lhe agrada com verdadeira fé, que Lhe presta um culto racional, que obedece à toda SUA Palavra por amor e entrega unicamente a ELE e que Lhe louva e adora. Esta é a pessoa sujeita a nos deixar maravilhados pelas bênçãos que D’US lhe entregará. O Reino de D’US não recruta capitalistas e sim SANTOS!

De um ponto de vista específico e prático, cremos que sobre ofertas e dízimos, o sacerdote hoje deve apenas ensinar estes preceitos ao povo, com completa isenção, lhes dando o mesmo peso e valor dos demais preceitos da Tanach. Também cremos que quaisquer momentos especiais de ministrações sobre estes temas devem ser retirados dos cultos. Basta que se ensine ao povo com a devida clareza, integridade e lisura conforme aquilo que nos pede a Tanach. Ao invés de inflamadas e emocionadas pregações sobre estes temas, o sacerdote que já tiver ensinado correta e santamente ao povo, deve durante o culto apenas anunciar ao mesmo o momento de entregarem suas ofertas e dízimos, com no máximo um louvor de fundo, liberando palavras abençoadoras e orando a D’US pedindo para ELE abençoar a obediência de SEUS filhos conforme consta na Tanach.

 Ressalto aqui que o sacerdote pode sim conclamar o povo para realizar uma oferta específica, como por exemplo para uma construção, uma reforma, uma aquisição, uma melhoria, e coisas semelhantes a estas, pois é lícito conforme também consta na Tanach; mas de forma alguma deverá prometer e garantir qualquer tipo de bênção a quem corresponder com este propósito mesmo que justificado.

Que a questão dos dízimos e das ofertas se tornem claras à Luz da Tanach: que o sacerdote ensine o preceito de dizimar e de ofertar ao povo, que ele até conclame o povo para trazer uma oferta específica para um fim justificado, mas que não proponha nada espiritual em troca.

O máximo que o sacerdote pode fazer é orar pedindo a D’US para abençoar quem assim tiver ofertado e dizimado com inteireza de coração, mas que o sacerdote se limite a isto, pois o retorno espiritual da obediência pertence somente a D’US. É D’US que escolhe a quem abençoará, é ELE que define qual bênção entregará, é ELE que decide como abençoará, é ELE que determina quando abençoará. E se D’US nada revelar sobre estas coisas aos Seus Atalaias, então: silêncio! Nada de tentar colocar palavras na boca de D’US.

Que o sacerdote se limite a realizar seu ofício sacerdotal sem outras pretensões de poderes supostamente espirituais. Sacerdote do D’US ALTÍSSIMO não é místico, nem bruxo, nem mago para pretender manipular as tais forças espirituais. Este departamento espiritual é de D’US e de mais ninguém, É D’US que manda nesta área e em todas as demais.

Não sejamos ingênuos acreditando que poderemos obrigar D’US agir desta ou daquela forma, nem mesmo usando Sua própria Tanach. Pois se Lhe apontarmos a Tanach para Lhe cobrarmos, então que estejamos preparados para que ELE também nos Aponte o Livro da Vida onde constam os capítulos de nossa existência. Misericórdia!

Shalom! 

Rabi Eder Pinheiro (Pastor e Profeta)

C.E.M – COMUNIDADE EVANGÉLICA MAKADESH

www.comunidademakadesh.com

Porque todo o Plano de D'US em nossas vidas começa e continua com a santidade!