A PASSAGEM (adeus ou até logo?)

Conta-se que havia uma esposa valorosa que se encontrava gravemente enferma, já em fase terminal, e que era extremamente bem cuidada pelo seu amoroso marido depois de muitas e felizes experiências passadas juntos. Ele a cercava de atenção e carinho não se separando dela quase em momento algum. Há muito que já falavam tranquilamente sobre aquela doença incurável. Numa linda tarde, que ambos tomavam chá juntos, no leito dela, o marido com a voz mais terna e o olhar cheio de amor, voltou-se para sua esposa e perguntou: “Meu bem, por favor, diga-me. Preciso saber. Como você se sente sabendo que vai morrer?” A esposa lhe respondeu com um leve sorriso: “E você, como se sente fazendo de conta que não vai morrer?

Que assunto difícil de ser abordado na aurora da vida! A humanidade, há séculos, cobra de D’US uma resposta sobre este tema: a passagem desta viagem para a outra, ou seja, a morte. Durante tanto tempo, a tentativa de responder por D’US, como se isso fosse possível ou necessário, gerou uma série de interpretações e opiniões paliativas débeis e inconsistentes com o propósito de desculpar o aparente silêncio de D’US mediante a morte.  Várias doutrinas heréticas que afastam o homem do ETERNO, e muitas blasfêmias que o condenam eternamente, se originaram desta tola pretensão humana em intelectualizar o que é divino e sagrado.

A passagem já é tão difícil de ser abordada por aqueles que têm Aliança com YAHWEH, quanto mais para aqueles que não O conhecem e com ELE não estabeleceram nenhum vínculo de amor e fidelidade. Muitos não conseguem compreender e aceitar simplesmente uma das coisas mais lindas e maravilhosas de toda a existência: a eternidade do amor de D’US!

Para nós, humanos, a morte é fatal e irremediavelmente o fim. Mas para D’US ela é apenas a entrada para a Vida Eterna. Simplesmente uma passagem. Nossa existência, para nós mesmos, termina com último respirar na terra, mas não percebemos que este última respirar na terra é que leva a “respirar” a atmosfera espiritual da eternidade com D’US. Esta transição,  esta passagem, por mais dor que nos cause tem de ser realizada por todos os seres vivos deste planeta. E para nós humanos esta passagem, por mais indignados que fiquemos, é vital para a renovação do ciclo da vida pela renovação das existências que partem da terra  em direção ao mundo espiritual e daqueles que partem do mundo espiritual em direção à suas jornadas na terra.  Vida física e física espiritual são os elos elípticos que interligam estes dois mundos para a renovação da vida.

Para entrarmos neste mundo físico, na terra, precisamos e somos revestidos de uma estrutura física: nosso corpo carnal. Após a “odisséia” terrestre, Para entrarmos no mundo espiritual temos de nos desfazer da estrutura físico-corpórea para nos revestirmos de nova estrutura agora espiritual: o corpo glorificado! O que muitas vezes nos leva a crises emocionais é a forma de se desfazer de um para adquirir o outro. Ou seja, as passagens violentas através de acidentes, assassinatos e doenças dolorosas e repentinas, normalmente, nos levam a um sofrimento emocional que pode comprometer outras áreas de nossas vidas e até mesmo pessoas com as quais convivemos. São diversas as formas de se realizar a passagem, das mais amenas às mais trágicas, das mais suaves às mais sofríveis, das rápidas e indolores às mais longas e dolorosas, mas o fato é que cada um de nós fará sua própria passagem da forma que tiver de passar. Até nisto há mérito aos olhos de D’US; pois nada de SEUS filhos LHE escapa, quanto mais as fatalidades. Também não esqueçamos que o nascimento neste mundo também é traumático para os recém-nascidos e a ciência hoje tudo faz para amenizar o que esta experiência imprime no inconsciente e no subconsciente das crianças. Daí se conclui que toda passagem demanda sua própria dor, tanto de cá para lá, como de lá para cá.

 Bom exercício para a paz que excede a todo entendimento é refletirmos racionalmente sobre este tema, porque a passagem não deve ser temida, porque ela virá para todos porque é destino de todos passar por esta jornada terrena e depois ir morar no Céu. Seja criança ou idoso, bom ou mau, rico ou pobre, quando o ciclo desta vida estiver completo, quando a página da vida já tiver sido escrita, mesmo para um recém-nascido, quando for o momento de retornar ao mundo espiritual, todos irão. E este momento preciso é comandado somente por D’US. Se nós O amássemos, se respeitássemos a SUA vontade Soberana, tudo ficaria mais fácil para nós neste momento de dor. Assim confiaríamos NELE incondicionalmente e saberíamos que, por mais que nos doesse, esta morte estaria nos misteriosos Planos de D’US, levando este alguém para ser habitante do mundo espiritual.   

Nosso desconhecimento de D’US, nosso desamor por ELE e, acima de tudo, nossa desconfiança NELE nos faz condenar e acusar a D’US nestes momentos de dor e de fatalidade. Quando D’US trás alguém para este mundo físico, ficamos felizes como quem sonha, fazemos festa, e alardeamos crer na bondade maravilhosa de D’US. Mas tudo muda quando D’US leva alguém para o SEU Mundo Espiritual. Que ao menos tenhamos respeito e resignação, mesmo com choro e lágrimas, mas resignados por causa da absoluta certeza de que D’US assim está fazendo para encerrar uma jornada de vida na terra, para começar uma nova jornada de vida no mundo espiritual.

Só D’US sabe quando e quem entra neste mundo corpóreo, e quando e quem dele sai. Só D’US sabe quando e quem sai do mundo espiritual, e quando e quem a ele retorna. Se fôssemos mais humildes entenderíamos mais sobre a Vontade Soberana de D’US. A Soberania de D’US está sobre tudo e todos em nuances tão sutis, que muito escapam à percepção grosseira, e à nossa insuficiente capacidade intelectual de percepção das coisas espirituais. Até porque estes assuntos não conseguem ser percebidos, compreendidos e aceitos pelo nosso intelecto em momentos de dor íntima, mas aqueles que vivem reais experiências de vida com o ETERNO,  são envolvidos numa compreensão cheia de paz, impronunciável por lábios, porém real na mente e no espírito. Estes sentem e compreendem no íntimo do espírito porque estão conectados ao ESPÍRITO DE D’US que lhes fala numa expressão inefável da sabedoria.

Para alguns, infelizmente, a morte é o fim; para D’US é uma continuidade sem o fardo físico nesta intangível jornada rumo à Eternidade!

Paz e Bênçãos! Shalom!

 

Rabi Eder Pinheiro (Pastor e Profeta)

C.E.M – Comunidade Evangélica Makadesh

Porque todo o Plano de D'US em nossas vidas começa e continua com a santidade!

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