A Oliveira e a Árvore Parasita

Existe uma espécie de planta que se entrelaça nas árvores para lhes roubar a seiva. Estas plantas parasitas se alimentam da seiva da árvore hospedeira e quando chegam ao chão criam raízes e destroem completamente a árvore que lhe forneceu vida. Um fato semelhante ocorreu com Israel e a cultura bíblica judaica, que se não fosse a intervenção Divina, teria sido extinta. A igreja romana, que no terceiro século avocou o direito de representar a igreja do Messias Yeshua, agiu como a planta parasita, entrelaçando-se na oliveira, que é Israel, extraiu o que lhe foi conveniente, e após criar raízes, quase destruiu a árvore hospedeira. A teoria da substituição é um indício claro acerca disto, pois afirma que a igreja cristã substituiu Israel. Seguindo esta teoria equivocada, a nação de Israel teria sido rejeitada completamente por D’us, por não ter recebido o testemunho de Yeshua. Esta falsa doutrina praticamente declara uma rejeição completa de D’us para com o povo judeu, e por consequência a inexistência de uma razão concreta para Israel existir. Isto, por sua vez, estimulou o anti-semitismo pós-vinda do Mashiach e influenciou também o movimento da reforma protestante, que defendeu esta mesma “doutrina”. Que Israel sempre diga! “Se não fora o Senhor, que esteve ao nosso lado, ora diga Israel; Se não fora o Senhor, que esteve ao nosso lado, quando os homens se levantaram contra nós, eles então teriam nos engolido vivos...” (Salmos 124:1-3). 
 
Esta árvore parasita embora não tenha conseguido destruir a oliveira, criou raízes e se estabeleceu como a tradição “cristã”. Ela está cheia de falsas doutrinas, de costumes pagãos e de sincretismos religiosos. Os remanescentes da igreja romana estão totalmente absorvidos por esta árvore, e a igreja evangélica, que por sua vez foi um fruto da reforma protestante, está numa posição estrategicamente delicada. Aqueles que sendo evangélicos, são nascidos de novo, são de fato filhos da luz e espiritualmente foram enxertados na oliveira que é Israel, mas, doutrinariamente ainda estão presos aos fundamentos teológicos que foram alicerçados a partir da árvore parasita. Diríamos que eles estão na oliveira, mas ainda entrelaçados ou embaraçados com a árvore parasita. Isto é demasiadamente perigoso, pois, como já vimos, a planta parasita rouba a seiva e pode fazer com que este galho enxertado na oliveira venha a sucumbir. Em outras palavras, devemos romper completamente com esta cultura pseudo-cristã e anti-semita e nos dedicarmos a oliveira, a cultura bíblica judaica, a fim de recebermos a genuína seiva de D’us para um crescimento espiritual saudável.  
 
O rompimento diz respeito às doutrinas e teologias que tem como referencial um pseudo-cristianismo. É preciso ver e interpretar a bíblia tendo como pano de fundo a cultura bíblica judaica e não o pensamento grego-romano. Em outras palavras, é preciso romper com esta influência helenista e voltar à cultura estabelecida pelo Eterno. A volta é para o entendimento das profecias bíblicas que dizem respeito ao povo de Israel e a igreja do Mashiach, em especial aquelas que ainda estão por se cumprir. É preciso também restaurar o entendimento da Torah, que é “o manual do fabricante do ser humano”, o qual nos ensina acerca dos princípios eternos estabelecidos por D’us. Devemos interpretar os versículos bíblicos dentro do contexto da cultura bíblica judaica e estudar diligentemente as línguas originais em que foram escritos os livros da bíblia. Devemos voltar a celebrar as festas bíblicas, que trazem qualidade para a igreja e se constituem em atos proféticos para o estabelecimento do Reino de D’us sobre a terra. 
 
É bom ressaltar que a cultura judaica também sofreu influências pagãs e contaminações de diversas plantas parasitas. Isto veio da mesma fonte, ou seja, dos costumes das nações e, também, da falta de entendimento de alguns líderes de que Yeshua é de fato o Mashiach. Por isto, a restauração aponta para a cultura bíblica judaica, ou seja, o judaísmo que tem como referencial a Torah e os demais livros da Tanach (primeira aliança ou antigo testamento), os quais são inegavelmente inspirados por D’us. O judaísmo que estamos restaurando também tem a presença de Ruach Ha Kodesh (espírito do Santo) e o testemunho do Mashiach Yeshua. Ainda haverá o tempo quando toda a nação de Israel se voltará para Yeshua e o reconhecerá como o Mashiach. Quando isto acontecer, os dias serão contados para a redenção de Israel e de toda a humanidade crente do D’us único e verdadeiro, o Criador de todas as coisas, o D’us e Pai do nosso Senhor Yeshua. 
 
Então, vamos sair da planta parasita e não mais estarmos embaraçados com ela. Vamos romper com o pseudo-cristianismo e termos de fato a Bíblia como nosso referencial. Vamos pagar o preço de sermos uma geração obediente a D’us em meio a uma geração rebelde que tem resistido a vontade de D’us para os nossos dias. Vamos nos preparar para o encontro com o noivo, aquele que deu a sua vida por nós, e nos vestirmos com vestes nupciais, que são na verdade o revestimento da cultura estabelecida pelo Eterno. Vamos fazer a diferença na nossa geração! Você também foi chamado para este propósito tão especial.

Marcos Andrade Abrão  – http://www.judaismomessianicobrasil.com.br

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